Hoje vamos conversar um pouco sobre lentes, as almas das SLR. Você já aprendeu a escolher sua câmera com o post “Começar do Começo” e está aprendendo sobre os 3 princípios básicos da fotografia com os posts “Um Clique, Um Pisque – Parte 1” e “Como Vai Sua Íris – Parte 2” (aguarde a parte 3 que vai tratar sobre ISO).

Uma das maiores vantagens das câmeras DSLR é a possibilidade de trocar de lente de acordo com a foto que você quer tirar. Algumas câmeras já vem acompanhadas com pelo menos uma lente (a chamada lente do kit), mas há quem prefira comprar só o corpo da câmera para mais tarde escolher a lente ideal e aqueles que fazem o chamado upgrade, que nada mais é do que a comprar ou trocar um equipamento fotográfico.

18-55mm Distância Focal da Lente do Kit

A nomenclatura das categorias de lente é baseada na distância focal de cada uma delas. Vale dizer que distância focal é uma medida que indica a intensidade em que a luz converge ou se concentra, ou seja, quando os raios de luz atingem a lente e se concentram em um ponto focal. A distância focal da lente é a distância do centro da lente até o ponto focal…. de maneira mais simples: distância focal é o quanto a câmera consegue ver.

As lentes podem ser divididas em duas categorias: Distância Focal Fixa e Variável

1 – Distância Focal Fixa
1.1 – Lentes Prime (nome chique para Lentes Fixas)

Uma lente fixa possui um comprimento focal único. Elas estão se tornando menos populares, pois os fotógrafos gostam de ter a conveniência e facilidade através de uma gama de comprimentos focais em suas mãos.

O engraçado é que no começo da história da fotografia, as lentes não possuíam o chamado “zoom”, existia apenas uma única distância de foco. Que ironia, não? Entretanto, convenhamos: mesmo com a evolução da fotografia, nada supera uma “Fixa”.

Acho que o maior ponto é que elas te obriguam a pensar mais na sua fotografia, porque o fato de você não ter a facilidade do “zoom” faz você sair um pouco da sua zona de conforto.

A grande favorita dos fotógrafos ainda é a 50mm, mas lentes 85–105mm também são muito procuradas, principalmente para retratos. As 300mm (ou mais) são mais populares para fotos de vida selvagem, esportes ou “paparazzi”.

Exemplo de foto feita com a 50mm

Vantagens:

  • Pequenas e leves
  • Qualidade óptica superior
  • Fabricadas com as maiores aberturas possíveis (claro que essa qualidade vai custar caro)
  • Mais baratas

Desvantagens:

  • Não possui distância focal variável
  • Obriga o fotógrafo a se mexer
  • Requer treino

Faixa de Preço:

De R$ 350 a R$ 1.500

Minha Opinião:

Não tem uma 50tinha? Está esperando o que para comprar uma? Brincadeira. Olha, se você é iniciante e está pensando em adquirir uma lente para fazer dupla com sua lente 18-55mm, compre uma 50mm que não vai se arrepender.

2 – Distância Focal Variável

Após aprender sobre as Lentes de Distância Focal Fixa, acho que a figura abaixo dispensa explicações…. Lembrando que Distância Focal Variável também pode ser encontra sob o nome de Lentes Zoom (Esse pessoal gosta de nomes chiques viu…)

2.1 Lente do Kit

Como o próprio nome diz, são lentes que possuem “zoom óptico”. A grande vantagem dessa lente é a versatilidade: você pode tanto tirar uma foto de alguém próximo, como pode fazer um close de uma flor em cima de uma árvore. São mais caras e ocupam mais espaço — quanto maior o zoom maior a lente (óbvio!). Por causa disso existe uma grande variedade no alcance em distância e preços (risos).

Ela é chamada de Lente do Kit porque a maioria das fabricantes de SLR utiliza essas lentes na composição de seus pacotes de equipamentos. Elas possuem por padrão a distância focal 18-55, tem precos acessíveis e qualidade óptica intermediária, são as mais populares no mercado por serem objetivas bem genéricas já que foram projetadas para serem utilizadas no dia-a-dia, sem uma finalidade específica.

Exemplo de uma foto feita com lente 18-55mm

Vantagens:

  • Versatilidade
  • São mais fáceis de encontrar nas lojas
  • Grande variedade de alcance

Desvantagens:

  • Preço mais elevado
  • São maiores (tamanho)
  • Qualidade intermediária

Faixa de Preço:

De R$ 400 a R$ 700

Minha Opinião:

Essa é uma lente do tipo Severino, faz-tudo. Ela cobre uma faixa bacana e pode ser usada nas situações mais variadas…. bom, como ela vem no kit, não tem muito o que dizer (risos)

2.2 Lentes Grande Angular

Esse tipo de lente faz fotos de uma grande perspectiva e produzem imagens que englobam muito mais da cenário. Uma modalidade dessas lentes é muito conhecida é FishEye (olho de peixe), que consegue fotografar tudo que está a 180° do fotógrafo.

FishEye – Também encontrada na porta de apartamento mais próxima de você

Se você curte paisagens e se sente chateado por não conseguir colocar “o mundo” na sua foto ou gosta de fazer fotografia de interiores e ambientes muito pequenos onde se precisa de um grande ângulo, as Grandes Angulares são perfeitas para você! Elas criam um “efeito panorâmico”, mas que causa uma distorção na imagem (conhecido como vignette – o que muito chamam de lomoeffect) e podem ser usadas de forma criativa.

As Garotonas

As mais populares são as 10-20 mm, 12-24mm e 17-35mm. Essas lentes não são exatamente as mais baratas… levando em consideração as excelentes qualidades ópticas da maioria delas.

Exemplo de grande angular

Exemplo de Grande angular

Vale lembrar que as grande angular podem ser tanto lente primes (fixas) como também zoom.

Vantagens:

  • Faz fotos criativas
  • São relativamente baratas
  • Ideais para paisagens e ambientes fechados

Desvantagens:

  • É de uso específico
  • Distorcem a imagem
  • Relativamente caras

Faixa de Preço:

De R$ 500 a R$ 5.000

Minha Opinião:

Se sua praia é fazer fotos de paisagens ou fotografia de ambientes, essa é sua lente.

2.3 Lentes TeleObjetivas

Lentes com um comprimento focal superior a 60 mm geralmente são chamadas de teleobjetivas e podem ter até 1.200 mm (Que loucura!). Elas são úteis quando você deseja que a imagem de um objeto distante preencha todo o quadro como, por exemplo, um drible de futebol ou uma ultra-ultrapassarem em uma corrida.

What the Hell?

“Posso ver Marte!”

É por isso que ela é tão pesada!

Alguém viu algum Famoso?

Gosto de pensar na Tele como o oposto da Grande Angular, pois o ângulo da Tele é “mais fechado”, ela abrangerá apenas uma pequena parte do que você consegue ver. Normalmente esse tipo de lente é usado por profissionais da área do esporte ou de jornalismo e custam muito, mas muito caro mesmo! Podem chegar a valores próximos de R$ 20 mil.

Foto feita com uma lente zoom

Foto feita com uma tele

Vantagens:

  • Aproximação do objeto inacreditável
  • Qualidade fenomenal
  • Possuem baixa dispersão

Desvantagens:

  • É de uso muito específico
  • Extremamente caras
  • Grandes e pesadas

Faixa de Preço:

De R$ 650 a R$ 4.000

Minha Opinião:

Como o uso dessas lentes é específico, elas são indicadas para quem trabalha com jornalismo esportivo e outras modalidades ou para quem quer fazer a foto de um leão na Savana africana e sobreviver para contar história.

2.4 Lentes Macro

Essas lentes são utilizadas para fotografar objetos de forma muito próxima. Embora muitas lentes atualmente venham com uma função macro, uma lente “legítima” (tem um fator de escala igual a “1:1″ – ou seja, tamanho real) produz closes muito bem focados.

As macros podem ser Fixas ou Variáveis, em sua maioria as lentes “Fixas” produzem as melhores imagens macros. Elas são projetadas especificamente para fotografias de catálogos, insetos e etc.

Exemplo de Foto feita com uma lente Macro

Vantagens:

  • Escala real de 1:1
  • Nitidez perfeita
  • Ótimo foco

Desvantagens:

  • São muito específicas
  • Exigem que se esteja muito perto do objeto
  • Podem ser bem caras

Faixa de Preço:

De R$ 1.000 a R$ 3.500

Minha Opinião:

Para os apaixonados pelo micro-mundo, essas lentes são ideais. Gosta de insetos? Não tem medo de mosquitos? Compre uma macro e mostre a foto para sua namorada, aposto que ela vai dizer: “credo…. que nojo”.

Conclusão:

Esse foi um resumão dos tipo de lentes que podemos encontrar no mercado fotográfico. Existem outras variações como Super Grande Angular e Super TeleObjetiva, mas as categorias primárias são essas. Pesquise bastante antes de comprar uma lente nova para seu set e nunca se esqueça de que a melhor lente é aquela que melhor vai atender suas necessidades.

Você acha que só existe um tipo de câmera no mundo? Bom, não é bem assim…

Miroslav Praga Tichý moldou várias caixas de sapatos de papelão, latas, caixas de cigarro, rolos de papel higiênico e corda elástica com lentes em plexiglas polidas com cinzas e creme dental. (????) Pois é….

Esta 4 “x5″ é uma câmara pinhole feita em alumínio, titânio, acrílico pelo artesão Wayne Martin Belger. A chamada câmera cardíaca foi concebida para fazer fotos de mulheres grávidas. Outros materiais foram usados e incluem ouro, madeira, marfim, chifres de veado e caveira de 150 anos de idade (!).

A Doryu é uma câmera pistola e não é uma novidade nem uma arte. Feita no Japão nos anos 50, esta “câmera da polícia” de 16mm foi equipada com uma lente Nikkor F1.4 lente 25mm.

Calma, ninguém matou uma tortuga para usar o casco como corpo da câmera. Esta foi forjada a partir de rochas, instrumentos, livros de fotografias e outros pedaços não muito ortodoxos… mas dá para enganar.

O artista Wafaa Bilal implantou um suporte de câmera entre seu crânio e sua pele para o projeto do I3. A webcam na parte de trás da cabeça foi elaborada para fazer fotos periodicas em tempo real de um museu no Qatar. Entretanto, a cabeça rejeitou o transplante e os esteróides e os antibióticos não podiam mais aliviar a dor… resultado: ela teve que ser removida.

O cineasta canadense Rob Spence perdeu um olho em um acidente de espingarda, então implantou uma câmera no lugar. Simples não? Não existe nenhuma ligação ao nervo óptico, de modo que os dados visuais vão para um computador.

Jochen Dietrich é um artista alemão que fez uma “câmera despertador” nos anos 90. Ela possui um furo em cada marca de hora e faz fotografias nos intervalos horários.

O fotógrafo italiano Paolo Gioli fez várias câmeras estranhas, incluindo esta delicada beleza em dentro de uma concha, em 1986. Ao contrário do relógio de Dietrich, a “câmera shell” faz seis fotografias de uma só vez, criando fantasmas e multi-ângulo de imagens analógicas.

Outro artista italiano maluco. Francesco Capponi instalou uma câmara escura em uma cavidade de uma oliveira, enchendo as fendas do tronco e amarrando as polias através dos ramos. O dispositivo, em sua maioria de madeira interna suporta filme 120mm.

A primeira Kodak digital! Simplesmente um gadget involuntariamente bizarro. Essa câmera foi construída a partir de câmera de filme antigo conhecido como Super 8 e um gravador cassete – cada imagem demorava 23 segundos para registro e teve que ser transferido para uma televisão preto e branco. É um Frankencamera!

Sinceridade.”

What The Duck #17

 

 

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Original: Aaron Johnson

Tradução: J.R. Caldas

O fotógrafo Kien Lam precisou de 343 dias para dar a volta ao mundo e criar esse Timelapse monumental que reúne os mais belos lugares do nosso pequeno planeta azul.

Foram 17 países visitados e 6,237 fotografias feitas com uma Panasonic Lumix GF-1. Espanha, Chile, Egito e Indonésia foram apenas alguns dos países listados neste vídeo e que um dia poderá ser um dos seus destinos de viagem. Que tal?

Continuando a série de três posts sobre os princípios básicos da fotografia hoje vamos aprender um pouco mais sobre o Diafragma. Caso não tenha lido a primeira parte, acesse aqui.

Existe uma confusão generalizada entre Obturador e Diafragma. O primeiro já foi explicado na primeira parte (e espero sinceramente que tenha entendido – risos); o segundo vai ser destrinchado agora! Ah Ah Ah (risada malévola):

O Obturador e Diafragma são partes diferentes da câmera, logo possuem funções diferentes. Você aprendeu que quem protege o sensor é o Obturador, certo? Então cabe ao Diafragma controlar a quantidade de luz que vai atingir o sensor. Sacou? Um pouco de analogia: o obturador são as pálpebras do sensor e o diafragma é como a pupila que controla luz que entra em nossos olhos. Entre outras funções, o Diafragma possui o importante papel de conferir profundidade de campo às fotografias, mas vamos sobre isso mais à frente.

Estrutura do Diafragma

Você deve ter notado que quanto maior a abertura do Diafragma mais luz atinge o sensor e quanto menor a abertura menos luz entra na câmera. Você identifica o valor de abertura expresso por números “f” como f/2.8 ou f/1.6, simples não? Quer ver a coisa dar nó?

Maior abertura = números menores de f
Menor abertura = números maiores de f

Ahhhh???? Pois é, uma abertura f/2.8 quer dizer que o Diafragma está mais aberto e entrará mais luz que uma abertura f/5.6 na qual o Diafragma estará menos aberto e entrará menos luz, por sua vez uma lente f/1.6 possui um Diafragma que vai se abrir mais que uma lente f/2.8. Veja a figura abaixo para visualizar melhor esse conceito.

Você vai se acostumar com isso, não se preocupe. Basta lembrar que para números grandes o Diafragma está se fechando, para números pequenos o Diafragma está se abrindo. Esse conceito é importante para definir as chamadas lentes claras (com f pequeno – Diafragma mais aberto) e as lentes escuras (com f grande – Diafragma mais fechado). Normalmente para ser considerada clara, uma lente precisa ter aberturas inferiores a f/2.8 como é o caso das famosas 50mm com aberturas em f/1.8 e f/1.4

Se você olhar bem, vai notar que cada lente tem um valor para o Diafragma e um limite de abertura. Algumas lentes conseguem um valor de f/1.2 (super clara) até f/22 e outras conseguem um valor de f/5.6 até f/16. Dependendo do tipo de fotografia que você pretende fazer é importante ter uma lente que tenha uma abertura bem ampla para que entre mais luz.

La Profundidade de Campo

Mexer no Diafragma é mexer na profundidade de campo (também conhecido como Bokeh, ou seja, segundo plano desfocado). Em termos simples:

Maior abertura = Menor profundidade
Menor abertura = Maior profundidade

Um exemplo do TecMundo para você entender:

Profundidade de Campo

O motivo disso é que existem várias “camadas” na imagem e a câmera precisa ajustar o foco. Se o diafragma estiver muito aberto, a profundidade de campo irá diminuir e só o que estiver mais próximo da câmera ficará focado. Já se a abertura for pequena, a profundidade de campo será maior e todo o assunto, independente de camadas, será focado. Veja a figura abaixo para entender melhor esse princípio.

Observe como se comporta a imagem quando o Diafragma está completamente aberto e parcialmente aberto

Eu sei que é tudo meio confuso, mas quando começar a pegar o jeito e controlar bem a abertura do Diafragma suas fotos terão uma sensação maior de dimensões e distâncias. Quando toda a imagem está focada, a impressão que pode dar é que ela está “chapada”, ou seja, todos os elementos que compõe a fotografia estão alinhados no mesmo plano e isso empobrece a fotografia em certo sentido.

Exemplo de Profundidade de Campo

Espero que você tenha entendido mais um pouco sobre o Diafragma. Na última parte dessa série do Verena Ensina vamos falar sobre o famoso ISO. Até lá.

Navegando pelos meus blogs favoritos sobre fotografia, encontrei o sufocante trabalho da fotógrafa Erin Mulvehill no 7Fotografia.

Menina Erin

Essa garota tem apenas 24 anos e um senso de plástico fotográfico incrível. Erin começou a fotografar com 17 anos e atualmente mora em Nova Iorque e já é licenciada em fotografia pela Syracuse University (!). Ela mesma define seu trabalho da seguinte forma:

“Meu trabalho tem como objetivo explorar as relações humanas e as nuances sutis que sussurram em nossos ouvidos todos os dias. Muito do meu trabalho está enraizado nas idéias da mente, corpo, uniformidade e tempo. Isso é em grande parte porque minhas crenças mais profundas encontram-se nos princípios do budismo, a integração da arte e da vida, e a preservação de belos momentos. Eu sou nômade por natureza e estou a cada dia sendo inspirada pelo nada que reside em todas as coisas.”

O ensaio sufocante que me referi no começo do post chama-se “Underwater” e foi produzido em 2009 com uma câmera analógica em estúdio. Não sei que tipos de sentimentos essas fotos vão despertar em você, mas com certeza vai sentir falta de ar. Confiram essa sequência de fotos de tirar o fôlego:

Para conhecer mais sobre esse e outros trabalhos da Erin Mulvehill clique aqui.

 

 

Amizade é a coisa mais linda.”

What The Duck #16

What The Duck #16

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Original: Aaron Johnson

Tradução: J.R. Caldas